CAMINHADA COM MAIS DE 20 MIL PESSOAS EXPÕE O TAMANHO DA DISPUTA EM ITABUNA E LEVANTA UMA PERGUNTA INCÔMODA SOBRE A FORÇA DAS LIDERANÇAS LOCAIS

Itabuna resolveu lembrar, nesta sexta-feira (4), que política também se mede pelo tamanho das ruas ocupadas. Uma caminhada ligada ao grupo do governador Jerônimo Rodrigues reuniu mais de 20 mil pessoas, segundo informações divulgadas sobre o ato, que contou ainda com Rui Costa e Jaques Wagner. Registros publicados do evento mostram uma mobilização de grande porte no município.
E aí aparece o detalhe que torna a cena politicamente interessante: a manifestação aconteceu justamente em Itabuna, cidade onde Fabrício Pancadinha construiu sua trajetória e onde concentrou parte expressiva de sua votação nas últimas eleições.
Em 2022, quando disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa, Pancadinha recebeu 27.338 votos em toda a Bahia, dos quais 23.531 vieram de Itabuna. Foi a maior votação dele no município naquela eleição.
Dois anos depois, já na disputa pela Prefeitura, alcançou 29.620 votos. O número parece expressivo isoladamente, mas as urnas contam uma história mais completa: ele terminou em segundo lugar, com 26,73% dos votos, enquanto Augusto Castro chegou a 65.329 votos e 58,95%.

Ou seja: quase 30 mil votos são, de fato, uma votação relevante. Mas transformá-los automaticamente em sinônimo de domínio político sobre Itabuna seria uma conclusão bem mais generosa do que os números permitem.
Agora, com a campanha de 2026 em andamento, uma nova fotografia surgiu nas ruas. O grupo governista conseguiu reunir uma multidão expressiva justamente no território onde Pancadinha construiu sua principal identidade eleitoral.
Isso não significa, por si só, que Pancadinha tenha perdido votos. Caminhada não é urna, multidão não é pesquisa e fotografia de evento não substitui apuração eleitoral.
Mas seria igualmente ingênuo fingir que imagens de uma mobilização desse tamanho não produzem efeito político.
Produzem.
E produzem especialmente quando acontecem no quintal eleitoral de uma liderança que pretende continuar relevante.
A pergunta, portanto, não é quem colocou mais gente em uma determinada rua. A pergunta é se essa demonstração pública de força representa apenas um grande evento de campanha ou se indica uma mudança mais profunda na capacidade de mobilização política dentro de Itabuna.
Por enquanto, as urnas de 2026 ainda não responderam.
Mas as ruas já começaram a fazer perguntas.
