Ilhéus e Itabuna registraram juntas 969 ocorrências de ameaça contra mulheres durante o primeiro semestre de 2026. Os números constam em dados da Secretaria da Segurança Pública da Bahia, atualizados no mês de julho.
Ilhéus aparece com o maior número entre os dois municípios, contabilizando 535 registros entre janeiro e junho. Em Itabuna, foram documentadas 434 ocorrências no mesmo período.
Os dados revelam uma realidade preocupante em duas das maiores cidades do sul da Bahia e reforçam a importância das políticas públicas de prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência contra a mulher.
Além das ameaças, Ilhéus registrou 304 ocorrências de lesão corporal dolosa, 171 de injúria, 103 de difamação, 20 de importunação sexual e 20 de estupro.
No período analisado, o município também contabilizou três tentativas de feminicídio, quatro tentativas de homicídio, um homicídio doloso e um feminicídio consumado.
Em Itabuna, os dados apontam 254 registros de lesão corporal dolosa, 217 de injúria, 93 de difamação, 31 de importunação sexual e 18 de estupro.
A base da SSP-BA também registra, em Itabuna, uma tentativa de feminicídio, um homicídio doloso e uma ocorrência de lesão corporal seguida de morte. Não houve registro de feminicídio consumado no município durante o primeiro semestre.
Os números precisam ser interpretados com cautela. As diferentes categorias não devem ser somadas como se correspondessem necessariamente a vítimas distintas, pois uma mesma ocorrência pode envolver mais de um crime.
Além disso, os registros oficiais não representam integralmente a violência praticada contra as mulheres. Especialistas e órgãos de proteção alertam que muitos casos não são comunicados às autoridades por medo, dependência financeira, pressão familiar, vínculo emocional com o agressor ou ausência de uma rede de apoio.
A divulgação dos dados ocorre durante o Agosto Lilás, campanha nacional voltada à conscientização e ao enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher.
Mulheres em situação de violência podem procurar uma delegacia, acionar a Polícia Militar pelo número 190 ou entrar em contato com a Central de Atendimento à Mulher pelo telefone 180. O serviço funciona gratuitamente e oferece orientação sobre direitos e canais de atendimento.
Quando houver risco imediato, a recomendação é não confrontar o agressor sem apoio e buscar um local seguro. Familiares, vizinhos e pessoas próximas também podem comunicar situações suspeitas às autoridades.
Os 969 registros de ameaça em apenas seis meses mostram que a violência contra a mulher não pode ser tratada como um problema restrito ao ambiente familiar. Trata-se de uma questão de segurança pública, saúde e garantia de direitos.
