Ministério Público quer analisar o conteúdo do aparelho apreendido durante operação no presídio; defesa contesta decisão.
A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra do sigilo do telefone celular encontrado na cela do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, condenado pela tortura e morte do menino Henry Borel. A decisão foi proferida pela juíza Elizabeth Machado Louro, que presidiu o julgamento que resultou na condenação do ex-parlamentar.
O aparelho foi localizado durante uma operação da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, após informações de inteligência indicarem a possível existência de um celular na cela. Segundo a Polícia Penal, o telefone estava escondido entre livros.
Com a autorização judicial, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) poderá extrair e analisar os dados armazenados no aparelho para verificar se houve comunicações irregulares ou outras práticas ilícitas durante o cumprimento da pena.
A defesa de Jairinho, no entanto, ingressou com pedido para anular a quebra de sigilo. Os advogados sustentam que o aparelho foi encontrado em uma cela coletiva e afirmam que não há provas de que o telefone pertença ao ex-vereador. Também alegam que a medida autorizaria uma busca ampla por informações sem vinculação direta com o investigado.
O caso segue em tramitação e caberá à Justiça analisar os argumentos apresentados pela defesa.
Dr. Jairinho foi condenado, em 2024, a 43 anos de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e tortura contra Henry Borel, de 4 anos, morto em março de 2021.
