O avanço das doenças inflamatórias intestinais está acendendo um novo alerta entre especialistas: além dos problemas digestivos, essas condições também podem afetar diretamente a saúde mental.
Pesquisas recentes conduzidas por especialistas da Faculdade de Medicina da USP apontam que pacientes com inflamação intestinal ativa apresentaram até três vezes mais chances de desenvolver sintomas ligados à ansiedade, depressão e distúrbios do sono.
As doenças inflamatórias intestinais mais comuns são a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, condições crônicas que afetam milhares de brasileiros e podem provocar dores abdominais, diarreia, perda de peso, fadiga intensa e complicações graves ao longo do tempo.
Segundo os pesquisadores, a relação acontece por causa do chamado “eixo intestino-cérebro”, mecanismo em que substâncias inflamatórias produzidas pelo organismo podem impactar diretamente o funcionamento cerebral e emocional.
O estudo também identificou pior qualidade de sono, cansaço extremo e maior desgaste emocional em pacientes com inflamação intestinal ativa. Mulheres apresentaram risco ainda maior de desenvolver quadros depressivos.
Especialistas afirmam que o aumento das doenças inflamatórias intestinais também está associado ao estresse crônico, alimentação rica em ultraprocessados, alterações na microbiota intestinal e hábitos de vida modernos.
Os pesquisadores reforçam que o tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo não apenas acompanhamento gastrointestinal, mas também atenção à saúde mental dos pacientes.
