
Uma megaoperação das forças de segurança do Rio de Janeiro resultou na maior apreensão de armas de guerra já registrada no estado em um único dia. Ao todo, 93 fuzis de uso restrito foram retirados de circulação durante uma ação coordenada entre a Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério Público, deflagrada na última terça-feira (28) nas comunidades da Penha e do Alemão, zonas de forte influência da facção Comando Vermelho (CV).

De acordo com a Polícia Civil, o valor estimado do material bélico apreendido ultrapassa R$ 9,3 milhões, considerando apenas os fuzis. Somados a pistolas, carregadores, munições, explosivos e equipamentos de apoio logístico encontrados nos endereços investigados, o prejuízo total chega a quase R$ 13 milhões para o crime organizado.
Armas de guerra em território urbano
Os fuzis apreendidos são modelos de uso militar, incluindo AK-47, AR-15 e G3, alguns adaptados com peças importadas e sistemas de mira de alta precisão. Segundo os investigadores, parte do arsenal pode ter vindo do Paraguai e da Venezuela, por rotas clandestinas que atravessam o Centro-Oeste até o Rio de Janeiro.
O delegado Fabrício Oliveira, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), destacou o poder de fogo das armas.
Cada fuzil desse tem capacidade para disparar até 600 tiros por minuto. É um armamento de guerra, que deveria estar em campos de batalha, não nas mãos de criminosos em áreas urbanas, afirmou
Impacto no crime e nas investigações
As armas estavam guardadas em imóveis usados como depósitos estratégicos pelo Comando Vermelho, e, segundo a polícia, abasteceriam células da facção em pelo menos cinco comunidades da capital. O carregamento seria utilizado em confrontos com facções rivais e para ampliar o domínio territorial sobre pontos de venda de drogas.

A apreensão, considerada um golpe logístico e financeiro sem precedentes, deve impactar diretamente o fluxo de armamento nas favelas cariocas nas próximas semanas. Fontes ligadas à investigação afirmam que a operação faz parte de uma estratégia maior de desarticulação da base armada do tráfico, com monitoramento de rotas de entrada de armas e de movimentações bancárias ligadas à compra dos equipamentos.
O material foi encaminhado para o Centro de Armas e Explosivos da Polícia Civil, onde está passando por perícia. O objetivo é rastrear as origens, identificar o número de série de cada fuzil e entender como essas armas entraram no país.
Operação integrada e avanço no combate ao tráfico
A ação foi batizada de Operação Arcanjo e contou com a participação de unidades especializadas como a CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais), BOPE, Draco e Delegacia de Repressão a Entorpecentes. Ao todo, mais de 300 agentes participaram da ofensiva, que também resultou na prisão de oito suspeitos ligados à facção.
Em nota, o governador Cláudio Castro classificou a apreensão como “um divisor de águas no combate às facções criminosas”. Ele afirmou que o Estado vai manter a linha de operações integradas para sufocar financeiramente as organizações e cortar o fornecimento de armas e munições.
O material apreendido está sendo catalogado e deve ser exibido em coletiva na próxima semana, quando a Secretaria de Segurança Pública divulgará um relatório detalhado sobre o impacto econômico e tático da ação.