Uma nova regra trouxe um freio importante nos juros abusivos do cartão de crédito e pode representar alívio real para milhões de brasileiros. Agora, a dívida total no rotativo não pode ultrapassar o equivalente a 100% do valor original gasto. Na prática, isso significa que o consumidor não pode mais dever mais que o dobro da compra inicial.
A medida foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional e passou a valer com fiscalização do Banco Central do Brasil, atingindo diretamente o chamado crédito rotativo, que é acionado quando o cliente paga apenas o valor mínimo da fatura.
Antes da mudança, os juros do cartão podiam se acumular de forma praticamente ilimitada, transformando pequenas compras em dívidas gigantescas e quase impossíveis de quitar. Era comum uma dívida de R$ 1.000 virar R$ 3.000, R$ 4.000 ou até mais com o passar do tempo.
Com a nova regra, se uma pessoa gastar R$ 1.000 e não conseguir pagar, o valor máximo que poderá ser cobrado será de R$ 2.000 no total, já incluindo juros e encargos. Após atingir esse limite, o banco não pode continuar aumentando a dívida com novos juros rotativos.
O objetivo é reduzir o superendividamento e tornar o crédito mais justo. O cartão de crédito sempre foi uma ferramenta útil, mas também uma das maiores armadilhas financeiras do país, justamente por causa das taxas elevadas.
Mesmo com a proteção, especialistas alertam que o ideal ainda é evitar entrar no rotativo. Os juros continuam altos até atingir o limite, e a melhor estratégia segue sendo pagar a fatura integralmente ou buscar parcelamentos com taxas menores.
Na prática, a nova regra não elimina a dívida, mas impede que ela vire uma bola de neve sem controle. É um passo importante para equilibrar a relação entre bancos e consumidores e dar mais previsibilidade para quem precisa reorganizar a vida financeira.
