Uma ação que deveria ser rotina virou problema diplomático no Rio de Janeiro. Médicos do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) foram impedidos de fazer uma vistoria completa em um navio-hospital chinês atracado no Píer Mauá.
Segundo o CREMERJ, a tentativa de inspeção ocorreu na última terça-feira (13), mas foi confrontada pela intervenção de uma autoridade consular chinesa e pela presença de cerca de dez militares estrangeiros no local, o que, segundo os fiscais, intimidou a equipe durante a ação em solo brasileiro.
A vistoria que no Brasil é obrigatória para verificar condições sanitárias e a atuação médica legítima —não chegou a ser concluída porque a embarcação, identificada como o navio-hospital Silk Road Ark, negou acesso interno sem autorização explícita.
Especialistas lembram que navios de Estado, categoria que inclui embarcações militares como a chinesa, gozam de imunidade jurisdicional, regra do direito marítimo internacional que pode limitar fiscalizações sem consentimento do país de bandeira. Ainda assim, o CREMERJ defende que atos de prática médica devem respeitar normas brasileiras quando realizados em território nacional.
A Marinha do Brasil informou que autorizou a atracação do Silk Road Ark a pedido do governo brasileiro, com caráter oficial e diplomático, e que não havia previsão de atendimento médico à população local.
O episódio acendeu questionamentos sobre transparência e cooperação internacional, enquanto o navio segue sua visita ao porto carioca dentro da missão “Harmony Mission 2025”, promovida pela China.
