O Brasil voltou a aparecer onde jamais deveria: no topo dos países com mais jovens que não estudam e não trabalham. Segundo dados recentes da OCDE, cerca de 24% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos estão na categoria NEET, conhecida por aqui como “nem-nem”. A informação foi destacada em relatório oficial do órgão e repercutiu em portais como o Terra, que apontou o país ocupando o 4º lugar mundial nessa faixa etária.
O número é alarmante, mas não surpreende. A combinação tóxica de baixa qualidade educacional, desigualdade social, falta de oportunidades reais e um mercado de trabalho cada vez mais exigente empurra milhões de jovens para a zona da exclusão. Um estudo publicado na Journal of Youth Studies reforça que esse cenário não nasce da “falta de vontade” dos jovens, mas sim de barreiras estruturais que o Brasil insiste em manter.
Para completar, há um recorte ainda mais cruel: mulheres jovens são as mais afetadas. Dados da própria OCDE mostram que 29% delas estão fora dos estudos e do trabalho, contra 19% dos homens.
E ainda tem mais: embora exista uma queda em comparação com anos anteriores a taxa já foi de quase 30% em 2016 o ritmo é lento demais. O mundo avança, o Brasil tropeça.
Enquanto governos se revezam entre discursos e promessas, a juventude brasileira fica presa num limbo social que não oferece portas de entrada, apenas frustrações. A pergunta é velha, mas segue atual: como o país pretende ser competitivo com uma geração inteira sendo deixada para trás?
