Em audiência pública realizada nesta segunda-feira (10/11) pela Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, expressou com clareza sua posição sobre a jornada de trabalho do tipo 6×1 (seis dias trabalhados, um de folga). Ele qualificou o modelo como “incompatível com a vida moderna” e “especialmente perverso para as mulheres”.
Segundo Marinho, somente uma imposição legal poderá extinguir esse tipo de escala. Ele citou que as negociações por si só não foram capazes de promover mudanças suficientes até agora. “Se não tiver uma imposição legal, vamos atravessar mais um século com trabalhadores brasileiros trabalhando 48 h semanais”, afirmou.
No debate, foi mencionada a PEC 8/25, que propõe jornada de quatro dias de trabalho por três de descanso e limite de 36 horas semanais, colocando a eliminação da escala 6×1 como um dos objetivos.
O ministro também instou empregadores a “se prepararem agora” para essa transição: “Vão estudando o assunto, vão se preparando, porque vai chegar o fim da 6×1 e precisamos acelerar esse processo.”
Especialistas ouvidos pelo portal destacam que a escala 6×1 está presente em diversas categorias de trabalhadores, sobretudo no setor privado e em vínculos terceirizados, e que a mudança terá impacto significativo sobre produção, estrutura de custo das empresas e relações de trabalho além de refletir em ganhos para a saúde e qualidade de vida dos trabalhadores.
Os próximos passos incluem tramitação da PEC, audiências públicas, negociações com sindicatos e setor produtivo, e análise de impacto econômico e legal para adoção definitiva da mudança.
