Camilo Carvalho, presidente da ATIL e empreendedor ilheense, demonstra preocupação com a redução das escalas de cruzeiros e os reflexos para o comércio, os serviços e a promoção internacional do destino.
Ilhéus, reconhecida mundialmente como a Terra do Cacau e imortalizada nos romances de Jorge Amado, reúne praias de beleza extraordinária, patrimônio histórico, cultura, gastronomia e uma identidade turística capaz de atrair visitantes brasileiros e estrangeiros. Apesar desse potencial, a redução das escalas de navios de cruzeiro previstas para a temporada 2026/2027 acende um alerta para o futuro do turismo marítimo no município.
O cenário preocupa Camilo Carvalho, presidente da Associação de Turismo de Ilhéus (ATIL), empreendedor com atuação na cidade e filho da vereadora Dra. Rúbia Carvalho, vice-presidente da Câmara Municipal. A preocupação envolve não apenas a quantidade de embarcações que chegam ao Porto do Malhado, mas também as oportunidades econômicas, a geração de renda e a visibilidade que esses visitantes proporcionam ao destino.
De acordo com a programação divulgada pelo portal especializado World Cruises, Ilhéus deverá receber apenas duas escalas na temporada, entre o fim de 2026 e o primeiro semestre de 2027. A previsão representa uma mudança expressiva em relação ao período anterior, quando a cidade recebia visitas regulares de navios, incluindo embarcações que percorriam a costa brasileira.
MENOS NAVIOS, MENOS OPORTUNIDADES
A passagem de um transatlântico movimenta uma extensa cadeia de atividades econômicas. Comerciantes, restaurantes, bares, taxistas, motoristas de aplicativos, guias turísticos, artesãos, trabalhadores do receptivo e prestadores de serviços estão entre os segmentos que podem se beneficiar do desembarque de passageiros.
Quando uma escala deixa de ocorrer, a cidade perde uma oportunidade de transformar o fluxo de visitantes em consumo, renda e divulgação de seus atrativos. O efeito é particularmente relevante para pequenos empreendedores, que dependem da circulação de turistas para ampliar suas vendas e manter suas atividades.
Para Camilo Carvalho, a redução do número de embarcações representa um motivo de preocupação para o setor. O desafio, nesse contexto, é recuperar espaço nos roteiros das companhias marítimas e fortalecer a capacidade de Ilhéus de competir com outros destinos turísticos.
DE DEZENAS DE ESCALAS A APENAS DUAS
O histórico apresentado pelo presidente da ATIL aponta uma redução progressiva ao longo dos últimos anos. Segundo os números citados pelo representante do setor, Ilhéus já chegou a registrar aproximadamente 60 desembarques por temporada. Posteriormente, o quantitativo teria recuado para cerca de dez e, agora, para apenas duas escalas previstas.
Os números históricos foram atribuídos ao dirigente e devem ser confrontados com as séries oficiais de cada temporada para que seja possível estabelecer uma comparação precisa entre períodos equivalentes.
A mudança na programação dos cruzeiros não pode ser analisada isoladamente. A escolha dos portos depende de fatores como custos operacionais, infraestrutura, logística, atratividade dos roteiros e decisões comerciais das companhias marítimas. A ausência de uma empresa em determinada temporada, portanto, não significa necessariamente o encerramento definitivo das operações no destino.
Ainda assim, a redução projetada exige atenção das instituições públicas, da autoridade portuária e dos representantes da iniciativa privada.
UM DESTINO INTERNACIONAL QUE PRECISA SER VALORIZADO
Ilhéus tem atributos que ultrapassam a experiência de sol e praia. A história do cacau, as fazendas produtoras, o patrimônio arquitetônico, a gastronomia regional e os cenários associados à obra de Jorge Amado formam um conjunto de atrativos com potencial para conquistar visitantes de diferentes partes do mundo.
O turista que desembarca de um cruzeiro pode conhecer o centro histórico, consumir produtos locais, visitar estabelecimentos comerciais, experimentar a culinária baiana e descobrir as praias da região. A experiência positiva também pode estimular recomendações e futuras viagens, ampliando a divulgação espontânea do município.
Por isso, a diminuição das escalas representa uma preocupação que vai além do movimento portuário: envolve a capacidade de apresentar Ilhéus ao mercado internacional e converter sua riqueza cultural e natural em desenvolvimento econômico.
O QUE DIZEM OS DADOS OFICIAIS
Em publicação de 15 de setembro de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que a temporada brasileira de cruzeiros 2026/2027 prevê 675 escalas em todo o país. Para os portos de Salvador e Ilhéus, a estimativa divulgada pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (CODEBA) é de aproximadamente 179 mil passageiros desembarcados ao longo do ciclo.
O ministério também informou que a primeira escala prevista para Ilhéus seria a do navio AIDAsol, em 10 de novembro de 2026. A estimativa de 179 mil passageiros, entretanto, corresponde conjuntamente aos portos de Salvador e Ilhéus, não devendo ser interpretada como uma previsão exclusiva para o município.
Os dados reforçam a importância do turismo marítimo para a Bahia, mas também evidenciam a necessidade de acompanhar a programação específica de cada porto e de cada companhia.
MOBILIZAÇÃO PARA REVERTER O CENÁRIO
O desafio agora é transformar a preocupação do setor em uma agenda de ações concretas. A articulação entre Prefeitura, Secretaria de Turismo, CODEBA, entidades empresariais e representantes da cadeia turística pode contribuir para identificar obstáculos e apresentar soluções às companhias de cruzeiros.
Entre as medidas que merecem discussão estão a promoção comercial de Ilhéus em eventos do setor, a melhoria contínua do receptivo, a organização dos serviços oferecidos aos passageiros, a divulgação de roteiros integrados e o diálogo permanente com as empresas responsáveis pelas embarcações.
Mais do que receber navios, a cidade precisa demonstrar que está preparada para oferecer uma experiência turística organizada, segura e atrativa, capaz de estimular o retorno dos visitantes e fortalecer a reputação do destino.
A preocupação manifestada por Camilo Carvalho coloca em evidência uma questão estratégica para Ilhéus: como aproveitar melhor seus recursos naturais, culturais e históricos para ampliar sua participação no turismo nacional e internacional?
A Terra do Cacau tem história, praias e reconhecimento mundial. O desafio é converter esse patrimônio em oportunidades permanentes de trabalho, renda e desenvolvimento para a população.
