Presidente dos EUA retoma discurso de que merece o prêmio às vésperas da escolha do Nobel da Paz de 2026; Comitê Norueguês anuncia vencedor nesta sexta-feira
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou nesta quarta-feira (7) a defender publicamente que merece receber o Prêmio Nobel da Paz, justamente às vésperas do anúncio do vencedor da edição de 2026.
Em conversa com jornalistas, Trump afirmou que teria encerrado oito conflitos durante seu governo e voltou a apresentar suas ações diplomáticas como argumento para receber a maior premiação internacional dedicada à paz.
“Eu fiz coisas que ninguém mais jamais fez”, afirmou o presidente americano, segundo relatos da imprensa internacional. Trump também declarou que outros presidentes não teriam conseguido resolver guerras como ele afirma ter feito.
A declaração ocorre em um momento particularmente simbólico: o Nobel da Paz de 2026 será anunciado nesta sexta-feira (9), às 11h no horário da Noruega, pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo.
TRUMP COLOCA AS OITO GUERRAS NO CENTRO DO ARGUMENTO
A Casa Branca atribui ao presidente americano a resolução ou avanço decisivo em oito conflitos: Camboja e Tailândia; Kosovo e Sérvia; República Democrática do Congo e Ruanda; Índia e Paquistão; Egito e Etiópia; Armênia e Azerbaijão; Israel e Irã; e a guerra em Gaza.
O governo americano apresenta esses episódios como resultado da estratégia diplomática de Trump e de sua política externa denominada “Peace Through Strength” — “Paz pela Força”.
Em documento divulgado em fevereiro, a própria Casa Branca classificou Trump como um “Presidente da Paz” e atribuiu a seu governo a conclusão de oito conflitos.
Mas existe uma diferença importante entre intermediar acordos, produzir cessar-fogos e efetivamente encerrar guerras.
A avaliação sobre o alcance e a permanência desses acordos é objeto de controvérsia. No caso do Irã, por exemplo, as negociações ainda estavam em andamento, enquanto Washington pressionava Teerã para reduzir significativamente sua capacidade de enriquecimento de urânio.
INDICAÇÃO DE TRUMP? O NOBEL NÃO CONFIRMA
Embora líderes de Camboja, Israel e Paquistão tenham declarado publicamente que indicaram Trump, o Comitê Norueguês não confirma nem desmente nomes de candidatos.
Isso ocorre porque as indicações permanecem sob sigilo durante 50 anos.
Para 2026, foram registradas 287 candidaturas, sendo 208 pessoas e 79 organizações. O Comitê informou que somente após cinco décadas os documentos relacionados às indicações podem ser oficialmente divulgados.
Portanto, dizer que Trump “está oficialmente confirmado entre os indicados” seria incorreto.
O que existe são declarações públicas de pessoas habilitadas a indicar candidatos e reportagens que apontam o nome do presidente americano entre os possíveis concorrentes.
E há outra distinção: ser indicado não significa receber qualquer endosso do Comitê Nobel. O próprio instituto afirma que qualquer pessoa ou organização pode ser indicada por alguém habilitado e que não existe uma pré-seleção que transforme a indicação em uma espécie de chancela do prêmio.
NOBEL DA PAZ CHEGA AO DIA DECISIVO
A escolha de 2026 ocorre depois de uma edição de 2025 marcada pela aproximação pública entre o Nobel e Trump.
A vencedora do Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, chegou a entregar sua medalha a Trump. O Comitê Nobel, porém, esclareceu que o reconhecimento permanece oficialmente vinculado ao laureado original e que o prêmio não pode ser transferido para outra pessoa.
Agora, o nome do presidente americano volta ao centro da discussão justamente quando o Comitê se prepara para anunciar o novo vencedor.
O processo, contudo, não é decidido pelo presidente dos Estados Unidos, por governos estrangeiros ou por campanhas públicas.
O responsável pela escolha é o Comitê Norueguês do Nobel, formado por cinco integrantes nomeados pelo Parlamento da Noruega. A avaliação considera os critérios estabelecidos no testamento de Alfred Nobel, relacionados à promoção da paz, à cooperação entre povos e à redução dos conflitos armados.
Nesta sexta-feira, portanto, a expectativa chega ao fim.
Até lá, Trump continuará podendo defender publicamente que merece o prêmio.
Mas a decisão não será dele.
PORTAL VILELA 24HS — informação que separa declaração, fato e decisão oficial.
