O candidato à Presidência da República Augusto Cury, do Avante, reagiu duramente ao cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo nesta quinta-feira (1º).
O encontro foi suspenso após decisões judiciais alterarem as regras do programa. A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, proibiu a emissora de exibir um púlpito vazio para representar a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia recusado o convite.
Em outra decisão, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a participação do candidato Renan Santos, do partido Missão. A mudança ocorreu poucas horas antes da transmissão e alterou a composição inicialmente prevista pela emissora.
Flávio Bolsonaro, que havia confirmado presença, desistiu de participar após as decisões. Lula já havia informado que não compareceria ao programa e optou por participar de uma entrevista no Flow Podcast.
Diante das ausências e das mudanças judiciais, a TV Globo cancelou o debate e alegou insegurança jurídica para justificar a decisão.
Durante uma entrevista coletiva nos Estúdios Globo, Augusto Cury criticou o protagonismo do Supremo e defendeu mudanças no funcionamento da Corte.
“Essa insegurança jurídica tem que terminar. O STF é o alicerce da democracia, mas precisa ser discreto. O Supremo ganhou um protagonismo completamente desproporcional, que beira um colapso da democracia”, afirmou o candidato.
Cury também criticou a ausência dos dois candidatos que lideram as pesquisas. Em declarações após o cancelamento, chamou Lula e Flávio Bolsonaro de “acovardados” por não participarem do confronto direto.
O candidato do Avante defendeu ainda uma alteração na Constituição para estabelecer mandatos fixos para ministros do STF. A proposta apresentada por ele prevê que os integrantes da Corte permaneçam no cargo por até oito anos, encerrando o modelo atual de permanência até a aposentadoria compulsória.
A declaração ocorre em meio a uma crescente disputa política envolvendo o Judiciário, as campanhas presidenciais e as regras de participação em debates eleitorais.
Para Cury, as decisões tomadas às vésperas da transmissão prejudicaram o debate público e impediram que os eleitores acompanhassem o confronto entre os principais candidatos e os demais concorrentes.
O episódio provocou reações de outros presidenciáveis, que também criticaram a ausência de Lula e Flávio Bolsonaro e questionaram o peso das decisões judiciais na organização da campanha.
A TV Globo afirmou que as ordens do TSE e do STF modificaram regras previamente estabelecidas e comprometeram a segurança jurídica necessária para a realização do programa.
O cancelamento do debate, o último previsto antes do primeiro turno, abriu uma nova discussão sobre os limites da atuação do Judiciário, a liberdade das emissoras e o direito dos eleitores de acompanhar a apresentação e o confronto das propostas presidenciais.
