Um dos maiores projetos industriais em implantação no Brasil ganhou um novo marco nesta semana. A Arauco iniciou, em Inocência, no Mato Grosso do Sul, o içamento das 18 vigas que formarão uma ponte ferroviária de aproximadamente 270 metros sobre o córrego São Mateus.
A estrutura faz parte do ramal ferroviário de 47 quilômetros que conectará a futura fábrica de celulose do Projeto Sucuriú à malha ferroviária nacional.
O empreendimento ferroviário representa investimento estimado em R$ 2,4 bilhões e foi autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A previsão é que as obras sejam concluídas no segundo semestre de 2027.
A ferrovia terá papel estratégico no escoamento da produção da futura unidade industrial. A celulose será transportada pelo novo ramal até a Malha Norte, operada pela Rumo, e seguirá de trem até o Porto de Santos, no litoral paulista, de onde poderá alcançar mercados da América do Norte, Europa e Ásia.
A dimensão do projeto impressiona.
O Projeto Sucuriú prevê uma fábrica com capacidade estimada em 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. O investimento total da Arauco é estimado em cerca de US$ 4,6 bilhões, valor que supera R$ 24 bilhões nas cotações utilizadas para o projeto. A unidade deverá se tornar a maior fábrica de celulose do mundo em uma única linha de produção.
A nova infraestrutura ferroviária foi planejada para acompanhar essa escala.
Além de reduzir a dependência do transporte rodoviário, o ramal deverá ampliar a eficiência logística, diminuir a circulação de caminhões e aumentar a competitividade da produção brasileira de celulose no mercado internacional. Essa foi uma das justificativas destacadas pela ANTT ao autorizar o empreendimento.
UMA NOVA FRONTEIRA DA CELULOSE
O Projeto Sucuriú representa também uma mudança importante no mapa econômico do Mato Grosso do Sul.
O Estado vem recebendo uma série de investimentos bilionários no setor de celulose, transformando a região em um dos principais polos brasileiros da indústria florestal.
Em Ribas do Rio Pardo, a Suzano já colocou em operação o Projeto Cerrado, empreendimento de R$ 22,2 bilhões com capacidade de 2,55 milhões de toneladas anuais. A unidade é considerada a maior fábrica de celulose em linha única em operação no mundo.
Agora, o Projeto Sucuriú amplia essa transformação e leva a escala industrial a um novo patamar.
A conexão ferroviária será fundamental para garantir que milhões de toneladas de produção possam sair do interior do Estado e alcançar o mercado externo com eficiência.
A ponte sobre o córrego São Mateus simboliza justamente essa etapa de integração entre indústria e infraestrutura.
LOGÍSTICA GANHA PESO ESTRATÉGICO
O avanço do projeto ocorre em um momento em que o governo federal e a ANTT também trabalham para ampliar a participação das ferrovias na matriz de transporte brasileira.
Para o Mato Grosso do Sul, a expansão ferroviária representa uma oportunidade de reduzir gargalos logísticos e fortalecer a posição do Estado como corredor de exportação.
A futura produção da Arauco terá acesso à malha ferroviária nacional e, posteriormente, ao Porto de Santos, um dos principais pontos de saída de produtos brasileiros para o mercado internacional.
Mais do que uma ferrovia particular, o ramal do Projeto Sucuriú reforça uma tendência: grandes investimentos industriais estão passando a exigir infraestrutura logística própria e integrada para alcançar escala global.
Com a ponte ferroviária avançando e a fábrica em construção, o Mato Grosso do Sul começa a consolidar uma nova fronteira da indústria brasileira de celulose.
E o trem será uma das peças fundamentais para levar essa produção do coração do Estado aos mercados do mundo.
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