A tecnologia de inspeção corporal passou a ocupar um papel cada vez mais importante no controle de acesso às unidades prisionais da Bahia. Utilizado pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP), o Body Scan permite realizar a inspeção corporal de visitantes por meio de equipamentos de escaneamento, ampliando a capacidade de identificação de materiais que não podem ingressar no sistema prisional.
A tecnologia já está em funcionamento em unidades da capital e do interior. Em abril deste ano, o Conjunto Penal de Irecê registrou uma ocorrência em que o equipamento identificou uma alteração durante a inspeção de uma visitante. A suspeita levou à realização de exame complementar no Hospital Regional de Irecê, que confirmou a presença de um corpo estranho em uma cavidade corporal. Posteriormente, foi retirado um invólucro contendo aproximadamente 0,60 grama de substância análoga à cocaína.
TECNOLOGIA REDUZ NECESSIDADE DE CONTATO FÍSICO
O Body Scan permite que a inspeção seja realizada sem a necessidade de procedimentos invasivos. O equipamento gera imagens que podem indicar a presença de objetos ou alterações que precisam ser analisadas pelos agentes responsáveis pela segurança.
A utilização desse tipo de tecnologia está alinhada às normas nacionais que estabelecem o uso prioritário de equipamentos eletrônicos, como detectores de metais, aparelhos de raio-X e escâneres corporais, para a realização de revistas pessoais em estabelecimentos de privação de liberdade. A regulamentação também determina que a revista preserve a integridade física, psicológica e moral da pessoa revistada.
Na Bahia, o emprego do equipamento representa uma tentativa de tornar o processo de fiscalização mais eficiente e, ao mesmo tempo, reduzir situações de constrangimento durante a entrada de visitantes.
PRESÍDIO DE SALVADOR TAMBÉM ADOTOU O EQUIPAMENTO
Em abril, o Presídio de Salvador iniciou oficialmente a utilização do scanner corporal como parte dos procedimentos de controle de acesso de visitantes.
Segundo a SEAP, a adoção da tecnologia tem como objetivos agilizar a triagem, ampliar a eficiência das inspeções e reforçar a prevenção contra a entrada de materiais ilícitos.
O equipamento passou a integrar os procedimentos de controle de acesso juntamente com o cadastro dos visitantes e os protocolos operacionais estabelecidos pela unidade.
A secretaria afirma que a modernização contribui para um ambiente mais seguro para servidores, visitantes e pessoas privadas de liberdade.
POLICIAIS PENAIS RECEBEM TREINAMENTO ESPECÍFICO
A tecnologia, entretanto, não funciona isoladamente.
Em maio, a SEAP promoveu uma programação de capacitação no Complexo Penitenciário de Salvador envolvendo aproximadamente 50 policiais penais que atuam na operação dos equipamentos.
O treinamento incluiu conteúdos teóricos e práticos voltados à interpretação das imagens, identificação de possíveis ilícitos e aplicação dos protocolos de segurança.
Também foram realizadas vistorias técnicas nos equipamentos instalados na Cadeia Pública de Salvador, no Presídio Salvador — Anexo — e na Penitenciária Lemos de Brito — Módulo II.
A medida demonstra que a utilização do Body Scan depende não apenas da instalação das máquinas, mas também da qualificação dos profissionais responsáveis pela análise das imagens e pela adoção das providências necessárias diante de uma suspeita.
IMAGEM SUSPEITA NÃO SIGNIFICA, SOZINHA, CONFIRMAÇÃO DE ILÍCITO
Um ponto importante é que o escaneamento funciona como mecanismo de detecção e triagem.
Quando o equipamento aponta uma alteração, os agentes precisam seguir os protocolos estabelecidos para verificar a situação. No caso registrado em Irecê, por exemplo, a imagem gerada pelo Body Scan indicou uma possível ocultação interna. A confirmação ocorreu posteriormente por meio de tomografia computadorizada realizada em unidade hospitalar.
Essa diferença é fundamental para evitar interpretações equivocadas: o scanner pode apontar uma anormalidade, mas a confirmação de eventual material ilícito depende dos procedimentos de averiguação aplicáveis a cada ocorrência.
TECNOLOGIA AVANÇA EM UM SISTEMA QUE BUSCA MODERNIZAÇÃO
A implantação dos equipamentos integra um movimento mais amplo de modernização do sistema penitenciário baiano.
Além de ampliar os mecanismos de fiscalização, a tecnologia permite que as equipes concentrem esforços nas situações que efetivamente apresentam indícios de irregularidade, tornando o processo de controle de acesso potencialmente mais eficiente.
O desafio está em combinar tecnologia, treinamento dos policiais penais e cumprimento rigoroso dos protocolos para garantir que a busca por segurança não resulte em violações de direitos.
A regulamentação nacional é clara ao estabelecer que a revista pessoal deve preservar a integridade física, psicológica e moral da pessoa submetida ao procedimento e que a utilização de tecnologias de inspeção deve ser priorizada.
SEGURANÇA COM MAIS TECNOLOGIA E MENOS CONSTRANGIMENTO
O caso de Irecê mostra, na prática, como o Body Scan pode contribuir para impedir a entrada de materiais ilícitos no sistema prisional. Ao mesmo tempo, a adoção de equipamentos eletrônicos cria uma alternativa aos procedimentos tradicionais que podem envolver maior contato físico.
Para a SEAP, a tecnologia representa mais uma ferramenta para fortalecer o controle das unidades e proteger servidores, visitantes e pessoas privadas de liberdade.
A modernização, porém, não substitui o trabalho humano. A eficiência do sistema depende da combinação entre equipamentos, treinamento, protocolos, fiscalização e respeito às garantias individuais.
O avanço do Body Scan nas unidades prisionais da Bahia mostra que segurança e tecnologia podem caminhar juntas — desde que a inovação seja acompanhada de capacitação, protocolos rigorosos e respeito à dignidade de quem passa pelo procedimento.
PORTAL VILELA 24HS — INFORMAÇÃO COM RESPONSABILIDADE.
