A produção de cacau do sul da Bahia ganha mais uma iniciativa de verticalização da cadeia produtiva. O produtor Carlos Tomich, proprietário da Fazenda Capela Velha, em Uruçuca, ampliou o empreendimento com a abertura de uma loja de chocolates e derivados no Centro de Ilhéus.
A unidade foi inaugurada em junho de 2026 e comercializa chocolates produzidos no conceito “bean to bar”, em que o produto é elaborado a partir das amêndoas de cacau cultivadas na própria propriedade. Também fazem parte do portfólio nibs, geleias, melaço, licor e chá.
A nova loja integra uma estratégia que busca levar a produção do cacau para além da venda da matéria-prima, agregando valor ao fruto por meio do processamento e da comercialização direta dos produtos.
PRODUÇÃO É TRANSFORMADA NA PRÓPRIA FAZENDA
A Fazenda Capela Velha possui aproximadamente 140 hectares e conta com uma agroindústria responsável pela fabricação dos chocolates e demais derivados comercializados pelo empreendimento.
A propriedade também integra a chamada Rota do Chocolate, circuito turístico ligado à produção de cacau e chocolate no sul da Bahia.
Segundo Carlos Tomich, o movimento de verticalização começou após a recuperação de parte das plantações de cacau que estavam abandonadas. O produtor chegou ao sul da Bahia em 2010 e adquiriu a propriedade, que havia sido afetada pelos impactos da vassoura-de-bruxa, doença que atingiu fortemente a cacauicultura regional.
Depois da recuperação da lavoura, o negócio passou a combinar produção agrícola, fabricação de chocolates, turismo rural e comercialização direta.
NOVA LOJA JÁ SUPERA EXPECTATIVA DE VENDAS
De acordo com informações divulgadas pelo produtor ao Globo Rural e reproduzidas pelo Alô Alô Bahia, a nova unidade de Ilhéus apresentou desempenho superior ao da loja localizada dentro da própria fazenda já no primeiro mês de funcionamento.
A propriedade recebe visitantes interessados em conhecer as diferentes etapas da produção, do cultivo do cacau à fabricação do chocolate.
O negócio de chocolates informou faturamento de R$ 3,9 milhões em 2025 e projeta crescimento entre 10% e 15% com a abertura da unidade em Ilhéus.
Ainda segundo o produtor, mais de R$ 6 milhões foram investidos ao longo dos últimos anos na propriedade, incluindo recuperação dos cacaueiros, construção da fábrica, aquisição de equipamentos e estrutura comercial.
CACAU PRODUZIDO EM URUÇUCA GANHA VALOR ANTES DE CHEGAR AO CONSUMIDOR
Em 2025, a Fazenda Capela Velha produziu aproximadamente 18 toneladas de cacau. Segundo o empreendedor, metade dessa produção foi destinada à fabricação dos chocolates da marca DoCacau e de outros derivados.
A estratégia representa uma mudança importante na lógica tradicional da cadeia do cacau: em vez de comercializar toda a produção como matéria-prima, parte dela é transformada em produtos de maior valor agregado.
O modelo também acompanha uma tendência de fortalecimento dos chocolates de origem e do conceito bean to bar no sul da Bahia, região que vem ampliando a integração entre cacauicultura, chocolate artesanal e turismo.
ILHÉUS É A PRIMEIRA ETAPA DE UMA NOVA EXPANSÃO
Com a experiência da unidade de Ilhéus, o próximo passo planejado pelo empreendedor é levar o modelo para outras cidades baianas.
Itacaré aparece como provável destino da próxima loja, aproveitando o fluxo turístico da Costa do Cacau e a proximidade com a área produtora.
A abertura da unidade de Ilhéus reforça, portanto, uma tendência que ganha espaço no sul da Bahia: transformar o cacau produzido na região em uma experiência completa, envolvendo produção, processamento, gastronomia, turismo e venda direta ao consumidor.
Para uma região historicamente marcada pela comercialização do cacau como commodity, a agregação de valor representa uma oportunidade econômica relevante.
Mais do que vender amêndoas, o produtor passa a vender origem, experiência e produto acabado.
O cacau que nasce no sul da Bahia está deixando cada vez mais de ser apenas matéria-prima. Em Ilhéus, produtores transformam o fruto em chocolate, turismo e novas oportunidades de negócios — aproximando quem produz de quem consome.
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