Varejista apresenta piora no resultado líquido, queda na receita e aumento da dívida, mas administração destaca recuperação operacional
A Americanas encerrou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 274 milhões, crescimento de 179,6% em relação à perda registrada no mesmo período do ano anterior.
O resultado confirma que a varejista ainda enfrenta uma longa travessia financeira após a crise contábil revelada em 2023, embora a atual administração destaque avanços no funcionamento das lojas e na reconstrução do negócio.
Entre abril e junho, a receita líquida da companhia ficou em aproximadamente R$ 3,3 bilhões, recuo de 1,7% na comparação anual.
Segundo a Americanas, parte da queda foi provocada pelo calendário da Páscoa. Em 2026, a data foi comemorada no início de abril, fazendo com que uma parcela maior das vendas sazonais fosse contabilizada no primeiro trimestre. No ano anterior, a Páscoa ocorreu mais tarde e teve impacto maior no balanço do segundo trimestre.
No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, a companhia registrou prejuízo de R$ 603 milhões, crescimento de 1,5% sobre o resultado negativo apresentado no mesmo período de 2025.
Apesar dos números no vermelho, a administração afirma que a operação comercial apresentou melhora. As vendas realizadas em lojas abertas há mais de 12 meses cresceram 9,3% no semestre. Desconsiderando o efeito do calendário da Páscoa, a receita líquida teria avançado 7,8%, segundo a varejista.
A Americanas tem concentrado sua estratégia nas lojas físicas e na integração com os canais digitais. O modelo permite que o consumidor faça o pedido pela internet e retire o produto em uma das unidades da rede, reduzindo custos logísticos e utilizando as lojas como pontos de distribuição.
A companhia também passou a investir na reformulação das unidades, no programa de fidelidade e em categorias consideradas estratégicas, como brinquedos, guloseimas, beleza, cuidados com a casa e moda conforto.
O presidente da Americanas, Fernando Soares, comparou o atual momento da empresa a uma transferência “da UTI para o quarto”. A declaração indica que, na avaliação da direção, a fase mais crítica foi superada, mas a recuperação ainda está longe de ser concluída.
Outro sinal de alerta aparece no endividamento. A dívida bruta alcançou aproximadamente R$ 2,2 bilhões, enquanto a dívida líquida chegou a R$ 1 bilhão. A posição representa uma piora em relação ao período anterior, quando a companhia ainda apresentava caixa líquido.
O consumo de caixa nas operações também ficou próximo de R$ 400 milhões, influenciado, entre outros fatores, pelas despesas financeiras e pelos juros relacionados aos contratos de aluguel.
A Americanas permanece em processo de reconstrução após entrar em recuperação judicial em 2023. Desde então, a empresa fechou centenas de lojas, reduziu sua presença no comércio eletrônico, renegociou dívidas e modificou sua estratégia comercial.
O balanço mais recente mostra dois retratos ao mesmo tempo: de um lado, o prejuízo trimestral aumentou de maneira expressiva e o endividamento exige atenção; do outro, as vendas nas lojas e alguns indicadores operacionais sugerem recuperação gradual.
A empresa ainda precisará transformar essa melhora operacional em geração consistente de caixa e lucro para demonstrar que a recuperação saiu definitivamente do discurso e chegou ao balanço.
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