Há dias, usuários do Terminal Rodoviário de Ilhéus denunciam uma situação que preocupa passageiros, comerciantes, taxistas e trabalhadores. Segundo relatos encaminhados à nossa redação, o sistema de iluminação do terminal deixa de funcionar durante a noite, aproximadamente entre 19h e 6h da manhã do dia seguinte.
Se a informação for confirmada, não estamos diante de uma simples falha elétrica.
Estamos diante de um grave problema de gestão.
A principal porta de entrada de Ilhéus permanece mergulhada na escuridão justamente no período em que aumenta a circulação de passageiros vindos de outras cidades, trabalhadores do turno da noite e usuários do transporte intermunicipal.
A pergunta é simples.
Quem explica esse apagão?
A PAUMA Administração de Terminais, concessionária responsável pela gestão da Rodoviária de Ilhéus, ainda não apresentou qualquer esclarecimento público.

A Neoenergia Coelba também precisa informar se existe interrupção técnica, manutenção programada ou qualquer outra ocorrência que justifique a ausência de iluminação.
E a AGERBA, órgão responsável pela fiscalização das concessões públicas de transporte na Bahia, também precisa dizer se tem conhecimento da situação e quais providências adotou.
Mas existe uma reflexão que ultrapassa a própria falta de luz.
A PAUMA integra um dos maiores conglomerados do transporte baiano, responsável pela administração de importantes terminais rodoviários e por empresas tradicionais do transporte intermunicipal.
Trata-se de um grupo empresarial de enorme relevância econômica e política.
Nada disso é ilegal.
Mas justamente por isso a responsabilidade precisa ser proporcional ao tamanho do poder que exerce.
Quando um mesmo grupo concentra concessões públicas estratégicas e possui forte influência no setor de transportes, surge uma pergunta inevitável:
Quem fiscaliza quem?
Porque não basta existir um órgão regulador.
É preciso que a população tenha absoluta confiança de que essa fiscalização seja técnica, independente e eficiente.
Enquanto passageiros aguardam ônibus no escuro, comerciantes trabalham inseguros e taxistas convivem diariamente com a sensação de abandono, o silêncio institucional apenas amplia a desconfiança da população.
A Rodoviária de Ilhéus não é um equipamento qualquer.
Ali existem lojas comerciais.
Funcionam caixas eletrônicos.
Há um ponto de táxi.
Um terminal de ônibus urbanos.
Centenas de passageiros circulam diariamente pelo espaço.
Além disso, o terminal está localizado nas proximidades do Conjunto Penal Ariston Cardoso, circunstância que reforça ainda mais a necessidade de um ambiente plenamente iluminado e seguro.
Diante desse cenário, enquanto a situação não for definitivamente esclarecida e solucionada, torna-se indispensável que a Polícia Militar intensifique as rondas ostensivas no terminal rodoviário durante o período noturno, garantindo maior segurança aos passageiros, trabalhadores, comerciantes e usuários dos caixas eletrônicos existentes no local.
A população não espera favores.
Espera respeito.
Se houve falha técnica, que seja informada.
Se houve problema administrativo, que seja assumido.
Se houve negligência, que seja corrigida imediatamente.
O que não é admissível é que um dos principais equipamentos públicos de Ilhéus permaneça às escuras enquanto concessionária, órgão fiscalizador e demais responsáveis permanecem em silêncio.
Ilhéus merece respostas.
E respostas não podem demorar mais do que a luz para voltar.
O Portal Vilela 24 Horas mantém espaço aberto para manifestação da PAUMA Administração de Terminais, da Neoenergia Coelba, da AGERBA e dos demais órgãos envolvidos, em respeito ao contraditório e ao compromisso com um jornalismo sério, responsável e de interesse público.
