Uma descoberta que parece saída de um filme de ficção científica está chamando a atenção da comunidade médica internacional. Pesquisadores da Universidade de Hong Kong desenvolveram um exame de sangue aliado à inteligência artificial capaz de identificar riscos de doenças cardiovasculares até 15 anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas.
Batizado de CardiOmicScore, o método utiliza inteligência artificial e análise avançada de biomarcadores presentes no sangue para avaliar sinais precoces que podem indicar futuras complicações cardiovasculares. Entre as condições que podem ser identificadas estão o infarto, AVC, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, doença arterial periférica e tromboembolismo venoso.
Para desenvolver a tecnologia, os cientistas analisaram milhares de proteínas e metabólitos presentes na corrente sanguínea de participantes do UK Biobank, uma das maiores bases de dados de saúde do mundo. A IA cruza essas informações e consegue detectar alterações biológicas que normalmente passam despercebidas nos exames tradicionais.
Segundo os pesquisadores, a principal diferença do novo sistema é que ele não observa apenas fatores clássicos, como idade, pressão arterial, tabagismo ou histórico familiar. O exame busca entender o estado atual do organismo, identificando sinais silenciosos que podem indicar riscos futuros.
Os especialistas destacam, porém, que a tecnologia ainda não substitui consultas médicas, exames cardiológicos ou diagnósticos convencionais. O objetivo é ampliar a capacidade de prevenção, permitindo mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico muito antes do surgimento das doenças.
As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no planeta, sendo responsáveis por aproximadamente 20 milhões de óbitos por ano. No Brasil, o AVC e o infarto continuam entre as condições que mais causam internações e mortes.
Apesar do avanço considerado promissor, o exame ainda depende de novas etapas de validação científica e futuras aplicações em larga escala antes de chegar à rotina da maioria dos hospitais e clínicas ao redor do mundo.
