A influenciadora e advogada Deolane Bezerra voltou ao centro de uma investigação policial após autoridades apontarem que cerca de 35 empresas ligadas ao seu nome teriam sido registradas em um mesmo endereço no interior de São Paulo. O caso faz parte da Operação Vérnix, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro com possível ligação ao PCC.
Segundo informações divulgadas pelos investigadores, os CNPJs teriam sido concentrados em um imóvel localizado na cidade de Martinópolis, interior paulista. Conforme a apuração, a estrutura empresarial investigada teria sido usada para criar diversas camadas de movimentações financeiras, o que poderia dificultar a identificação da origem de recursos e o rastreamento patrimonial pelas autoridades.
De acordo com o promotor Lincoln Gakiya, responsável por acompanhar parte das investigações, o modelo chamou atenção pelo volume de empresas registradas em um mesmo local. O promotor citou o fenômeno como uma espécie de “pejotização do crime organizado”, expressão usada para descrever estruturas empresariais que poderiam ser utilizadas para pulverizar operações financeiras e dificultar rastreamentos.
As investigações também apontam movimentações financeiras consideradas incompatíveis com parte das atividades empresariais analisadas. Autoridades afirmam ter identificado dezenas de depósitos fracionados feitos entre 2018 e 2021 em contas ligadas à influenciadora. Somados, os valores investigados chegariam perto de R$ 700 mil, segundo a apuração.
Ainda conforme os investigadores, a projeção pública da influenciadora e a variedade de atividades empresariais poderiam ter contribuído para dificultar a distinção entre recursos oriundos de atividades legais e valores sob investigação. A polícia afirma que a complexidade da estrutura teria ampliado a dificuldade para acompanhar a origem dos recursos movimentados.
Por outro lado, a defesa de Deolane afirma que ela é alvo de perseguição e contesta as acusações. Em manifestação pública, familiares e advogados sustentaram que a influenciadora não praticou crimes e reforçaram que a investigação ainda não representa condenação definitiva. O caso segue em andamento e corre sob sigilo em parte dos autos.
Importante: a abertura de várias empresas em um mesmo endereço, por si só, não configura crime automaticamente. O ponto investigado pelas autoridades envolve a possível utilização dessa estrutura para ocultação patrimonial e movimentações financeiras suspeitas, situação que ainda depende de apuração e decisão judicial.
