O que era lucro virou preocupação. O preço da arroba do cacau voltou a cair com força na Bahia e já mergulhou abaixo dos R$ 150, um patamar que acendeu o sinal de alerta em toda a cadeia produtiva, especialmente no sul do estado, principal polo cacaueiro do Brasil.
Produtores relatam um cenário de incerteza crescente. Depois de viver um auge histórico em 2024, quando a arroba chegou a impressionantes R$ 1.100 impulsionada pela escassez global, o mercado começou a recuar em 2025, mas ainda em níveis considerados sustentáveis. Agora, em 2026, a queda ganhou velocidade e preocupa desde pequenos agricultores até grandes produtores.
Segundo relatos do setor, um dos principais fatores é o aumento expressivo da importação de cacau africano por multinacionais. Somente neste ano, cerca de três navios carregados com amêndoas vindas da África já teriam chegado ao Brasil. O produto importado pressiona os preços internos e reduz o valor pago pelo cacau nacional, afetando diretamente a rentabilidade dos produtores baianos.
Além disso, outro ponto que revolta agricultores são os chamados “deságios”, descontos aplicados pelas compradoras com base em critérios como qualidade, umidade e padrão do lote. Na prática, esses abatimentos fazem com que o valor final recebido seja ainda menor, ampliando as perdas em um momento já delicado.
O contraste com o cenário recente é brutal. O que antes era um período de valorização histórica virou um ambiente de insegurança econômica. Produtores temem que a continuidade dessa tendência comprometa não apenas a safra atual, mas também a sustentabilidade da atividade no médio prazo.
O cacau, que sempre foi símbolo de riqueza e identidade econômica do sul da Bahia, volta a enfrentar um momento decisivo. E no campo, o sentimento é claro: ninguém sabe onde essa queda vai parar.
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