O sul da Bahia vive um momento de tensão na cadeia produtiva do cacau. Produtores rurais intensificaram protestos contra a importação em larga escala de cacau africano por parte da indústria brasileira, e a mobilização ganha corpo a ponto de considerar ações diretas até no Porto de Ilhéus.
Nas últimas semanas, agricultores, comerciantes e representantes informais do setor têm se organizado por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens para pressionar autoridades federais e estaduais. O motivo central é a entrada de grandes volumes do produto estrangeiro justamente durante a colheita regional, o que, segundo os manifestantes, amplia a oferta e pressiona para baixo os preços pagos ao produtor local.
O cenário econômico do cacau no sul da Bahia já vinha sendo desafiador, com queda acentuada no preço da arroba. Organizações do setor consideram que a importação de amêndoas africanas, especialmente em momentos de safra local, contribui para agravar o problema. O movimento ainda alerta para a concorrência desleal, citando relatos de violações trabalhistas e condições precárias em países exportadores, o que reforça insatisfação no campo.
Paralelamente à articulação digital, atos já aconteceram no sul do estado. Produtores bloquearam trechos da BR-101 e da BA-120 em protestos contra a importação e a queda dos preços da arroba, que sofreu redução significativa nos últimos meses. Há expectativa de que uma mobilização maior ocorra em Ilhéus, levando agricultores de toda a região para um ato no entorno do porto como forma de chamar ainda mais a atenção das autoridades.
A demanda dos agricultores é clara: revisão das regras de importação, critérios mais rigorosos em relação aos aspectos socioambientais dos produtos estrangeiros e medidas concretas para proteger o preço do cacau nacional e a renda das famílias que dependem dessa produção.
O debate segue crescendo e pode ganhar novos capítulos nos próximos dias, com mais protestos e pressão política sobre órgãos federais e estaduais responsáveis pela política agrícola brasileira.
Via: Portal baixo sul
