
Um vídeo que circula desde a última quarta-feira (4) e ganhou força nas redes sociais mostra uma ambulância da prefeitura de Itanagra (município no Agreste baiano) recolhendo caixas espalhadas na beira da pista após o tombamento de uma carreta na BR-101, próximo ao município de Alagoinhas. Testemunhas registraram a cena: uma servidora sai da ambulância e coloca os itens no veículo, antes de sua partida.
As imagens consideradas “inéditas e alarmantes” por veículos locais indicam uso de utilitário público, destinado a atendimentos de saúde, em ação incompatível com sua finalidade original.
O que se sabe até agora
A ambulância é vinculada à prefeitura de Itanagra segundo declaração da secretaria de saúde estadual, o veículo estaria cedido ao município. A carga recolhida vinha de uma carreta tombada na BR-101. Pouco antes da chegada da ambulância, populares já estariam saqueando mercadorias dispersas pela rodovia. A presença da ambulância no local gerou forte repercussão. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acionada e iniciou um procedimento investigativo para apurar se houve crime de saque de carga e uso indevido de bem público. O prefeito municipal, Marcus Sarmento (Avante), divulgou nota classificando o episódio como “muito grave”, dizendo que o ato era isolado, que a motorista já foi identificada e que a administração abriu procedimento interno e comunicou a Justiça e a polícia.
Por que isso causou indignação
Desvio de finalidade ambulâncias devem servir à saúde pública, não para recolher mercadoria de acidente ou saque. Saque de carga tombada é crime recolher produtos de carga sem autorização do proprietário ou autoridade competente configura furto/saque. Dependendo da situação, pode haver responsabilização criminal. Uso de bem público para benefício privado ou indevido independente da carga ou da “intenção”, a simples utilização do veículo oficial para recolher mercadorias já compromete a lisura da gestão municipal. Imagem institucional desgastada a população espera transparência e respeito aos recursos públicos; episódios como esse minam a credibilidade das autoridades que deveriam representar o interesse coletivo.
O que pode acontecer agora
A PRF e a polícia vão apurar se há crime de furto/saque de carga e, se confirmada participação efetiva da servidora, o caso pode seguir por via criminal. A prefeitura de Itanagra instaurou processo administrativo interno para apurar responsabilidades e aplicar punições disciplinares. Caso haja comprovação de desvio de bem público, há base para questionamento do uso de recursos municipais e eventual responsabilização civil ou criminal.
Para quem cala, consente o jornal vem pra cobrar
Este episódio não pode ser apenas mais um vídeo que “viralizou por uns dias”. Exige-se investigação rigorosa. É dever da sociedade e do jornalismo independente insistir até que se saiba:
quem era a carreta tombada e a quem pertencia a carga; se houve registro de boletim de ocorrência por parte do proprietário; se a mercadoria foi devolvida ou permanece em posse de particulares; se a condutora da ambulância será punida e se o município revisará os critérios de uso de veículos públicos.