
A Bahia vive um retrato duro da sua realidade social. Segundo dados oficiais do CAGED e do CadÚnico, o estado tem hoje mais pessoas recebendo Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada. A informação escancara um cenário que já vinha sendo percebido no dia a dia, mas que agora aparece com números incontestáveis.
De um lado, a base do emprego formal: são aproximadamente 2,14 milhões de trabalhadores registrados com carteira assinada em todo o estado. Do outro, o universo de beneficiários do Bolsa Família, que alcançou 2,48 milhões de pessoas e, quando considerados todos os integrantes das famílias cadastradas, o total chega a 6,1 milhões de baianos, o equivalente a mais de 40% da população.
Esses dados foram confirmados pelo boletim oficial “Informe Suas Bahia”, divulgado pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do governo da Bahia, e reforçados por levantamentos recentes publicados pelo portal Sociedade Online e Bahia Econômica.
Na prática, o número deixa evidente algo que os economistas apontam há anos: a Bahia ainda depende fortemente de políticas de transferência de renda para equilibrar minimamente as condições de vida da população. O emprego formal não acompanha o ritmo de crescimento das famílias em situação de vulnerabilidade.
A diferença entre beneficiários e trabalhadores formais acende um alerta importante. Economistas veem a situação como um reflexo direto da falta de dinamização do mercado de trabalho, da baixa qualificação profissional e da dificuldade de expansão das atividades econômicas, especialmente no interior do estado. Enquanto isso, as famílias seguem entre o aperto da informalidade e o alívio temporário garantido pelo programa federal.
Para especialistas, o desafio agora não é apenas manter o benefício para quem precisa, mas garantir caminhos reais para que parte desses milhões de baianos consiga migrar para o emprego formal. Sem isso, o estado continuará vivendo dentro de uma curva de estagnação social que se repete há décadas.