
O Tribunal de Contas da União (TCU) lançou um raio-X preocupante sobre a Bahia: 926 das 1.770 obras públicas federais que deveriam estar em andamento estão paradas e já receberam R$ 1,5 bilhão dos cofres públicos.
O escândalo atinge fortemente setores vitais: educação, saúde, mobilidade e infraestrutura. Segundo o levantamento, 412 das obras paralisadas são creches e escolas, com previsão orçamentária de R$ 508,3 milhões, dos quais R$ 215 milhões já foram liberados.
No ensino superior, a situação é ainda mais alarmante: 12 obras estão paradas, incluindo nove projetos da UFBA que não saem do papel há 15 anos, como a nova biblioteca da FFCH, a sede da Escola de Música e o complexo do IHAC juntos, já consumiram R$ 36,1 milhões.
Na saúde, são 264 obras paralisadas desde unidades básicas de saúde até hospitais e centros de reabilitação com R$ 63,2 milhões investidos sem prestação de serviços para a população.
E a paralisação mais “cara”? A duplicação da BR-116: orçada em R$ 297 milhões, já levou R$ 263,1 milhões, mas segue sem execução resumida ou justificativa pública.
O que o TCU aponta como causas
Projetos básicos mal elaborados. Falta de contrapartida financeira. Baixa capacidade técnica de equipes gestoras. Empresas que abandonam contratos ou descumprimento de obrigações contratuais.
Impacto social
Essas paralisações não são números frios: representam cancelamento de promessas para a população baiana. Escolas que poderiam educar milhares de crianças ficam no papel. Hospitais e postos de saúde planejam, mas não funcionam. Estradas estruturantes não saem do chão.
Além disso, há desperdício direto de dinheiro público e risco de deterioração das obras paradas, pois estruturas inacabadas se desgastam, encarecendo a retomada no futuro.
Responsabilidade política (e crítica)
Se você for mirar no PT como a pauta “Gestão petista” sugere esses dados são uma munição potente: não basta liberar recurso, é preciso garantir execução, fiscalização, planejamento e gestão técnica. O fato de obras tão relevantes (como na UFBA ou na BR-116) estarem “esquecidas” por anos aponta para falhas estruturais na forma de governar.
Também vale levantar: essas obras foram iniciadas em quais governos? Até que ponto a administração estadual ou municipal petista tem responsabilidade direta? A análise pode (e deve) apontar para omissões, mas também para a necessidade de cobrar retomada ou cancelamento formal desses projetos.
Caminhos para denunciar ou resolver
Pressão politica: parlamentares devem exigir explicações e ações para retomada. Controle social: uso do painel público do TCU para identificar obras específicas paradas e mobilizar a população. Auditorias: solicitar que órgãos de controle (TCU, MP, etc.) investiguem empresas, contratos e gestores. Parcerias: buscar parcerias com ONGs, universidades ou movimentos sociais para tornar visível a demanda por essas obras.
Conclusão
A Bahia vive um rombo de execução: quase mil obras paradas, bilhões “investidos” sem retorno concreto para a população. É uma ferida aberta na gestão pública e a cobrança deve ser forte, direta e contínua. Se a gestão petista estiver envolvida, não pode simplesmente jogar a culpa em “obstáculos técnicos”: é hora de mostrar resultados.