O Paraná viveu uma das noites mais violentas da sua história recente. Um tornado com ventos que chegaram a 250 km/h devastou a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do estado, na noite de 7 de novembro. O fenômeno pode ser o mais intenso já documentado no Brasil, segundo o Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná).
Em poucas horas, o que era uma cidade tranquila virou um cenário de guerra: ruas tomadas por destroços, casas arrancadas do chão e estruturas metálicas retorcidas. Estimativas iniciais apontam que 80% a 90% da área urbana foi destruída. Se confirmado como tornado de categoria F3 na Escala Fujita, o evento entrará para o ranking dos mais fortes já registrados no país.
De acordo com o Simepar, o tornado se formou a partir de uma supercélula, tipo de tempestade extremamente violenta e rara no Brasil. O órgão ainda analisa os danos para definir a classificação final, mas há indícios de que os ventos tenham ultrapassado o limite superior de um F2.
As consequências foram graves: ao menos seis pessoas morreram e mais de 700 ficaram feridas. A Defesa Civil e as forças estaduais de segurança seguem em operação de resgate e reconstrução. O governo do estado decretou situação de emergência, e equipes da Copel trabalham para restabelecer energia nas áreas atingidas.
Meteorologistas afirmam que o evento é um alerta sobre o aumento da frequência de fenômenos climáticos extremos no Brasil. Pesquisadores destacam que, embora o Sul seja a região mais propensa a tornados, o país nunca havia registrado um impacto urbano dessa magnitude.
Especialistas defendem que o caso sirva de lição: o Brasil precisa aprimorar seus sistemas de alerta e ampliar o monitoramento climático. O episódio de Rio Bonito do Iguaçu mostrou que eventos extremos — antes tidos como raros — estão cada vez mais próximos da realidade brasileira.
